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Como o mês de maio se tornou o mês de Maria

É curioso saber como maio se tornou o mês de Maria. Temos, na verdade, mais de um mês mariano: o mais antigo é o mês de agosto, associado à Solenidade da Dormição de Nossa Senhora, maior festa mariana do rito bizantino; outubro é o mês do Rosário, principalmente por obra do Papa Leão XIII; e setembro é o mês de Nossa Senhora das Dores, promovido pelos Servos de Maria.

Mas o mês de maio não trazia celebrações litúrgicas marianas de destaque, nem devoções de grande alcance. Como ele se tornou o mês de Maria?

 

Breve histórico

Na Igreja do Ocidente, na Europa, o mês de maio é o do renascimento da natureza após o inverno. As floradas da primavera levaram os povos antigos a realizar festas e homenagens celebrando a vida. Nos séculos XII e XIII estavam se cristianizando as várias tradições antigas e pagãs, e aos poucos se foi orientando o povo a honrar Santa Maria nesse período de renascimento da natureza.

O primeiro registro a associar o mês de maio a Nossa Senhora foi de Afonso X, o Sábio, rei de Castela e León (1221-1284). Nas suas “Cantigas a Santa Maria”, cantando a abundância de bens que a natureza oferecia, convida a invocar a Virgem Maria para que esse mês seja abundante de bênçãos materiais e espirituais. Anos depois, o bem-aventurado Henrique Suso, dominicano, dedicava a primavera a Nossa Senhora.

Na França e na Alemanha, foram surgindo iniciativas semelhantes para homenagear a Rainha do Céu nesse mês. No século XIV, no dia 1º de maio os ourives de Paris ofereciam a Nossa Senhora buquês de plantas enfeitadas com pedras preciosas e fitas.

Maio começou a tomar forma como mês mariano com São Filipe Neri. Durante esse mês, o santo ensinava os jovens a prestar “obséquios” a Maria, enfeitando suas imagens com flores, cantando louvores em sua honra e praticando atos de virtude e mortificação, entre outras práticas. “Havendo chegado as festas de maio e tendo nós ouvido, no dia anterior, muitos seculares começarem a “cantar maio” e festejar as criaturas por eles amadas, resolvemos e quisemos cantar também a santíssima virgem Maria… e achávamos que não devíamos deixar-nos superar pelos seculares.” (Crônica do arquivo de São Domingos)

Em 1677 surgiu uma confraternidade, iniciada pelo Padre A. D. Guinigi, que dedicava o mês de maio à Virgem Maria com exercícios de devoção. Inicialmente se celebrava somente o primeiro dia de maio, depois todos os domingos e por fim todos os dias do mês.

Essas práticas foram evoluindo, propagando-se e se aperfeiçoando com o passar do tempo e o impulso de ordens religiosas. Quando, por volta de 1700, os jesuítas adotaram a devoção mariana no mês de maio, ela se espalhou por toda a Igreja.

 

O mês de maio e os devotos

Em seu livro póstumo Meditações e devoções, o bem-aventurado Cardeal John Newman descreve bem o sentimento dos fiéis:

“A primeira razão (para celebrarmos Nossa Senhora em maio) é porque é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das chuvas da primavera…

Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde. Porque semelhante alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus.

Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança. Ainda que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão.

Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?”

Ainda que no hemisfério Sul tenhamos a experiência inversa – maio é quando nos despedimos dos dias quentes e longos e nos preparamos para os rigores do inverno – compreendemos bem essas palavras do Cardeal Newman.

Temos em acréscimo pelo menos duas datas para celebrar Nossa Senhora festivamente em maio: o Dia das Mães, em que recordamos de maneira especial a Mãe de Jesus e nossa, e também o 13 de maio, em que celebramos Nossa Senhora de Fátima.

O mês se encerra atualmente com a celebração litúrgica da Visitação, porém continua sendo costume se fazer nesse dia, ou no último domingo, a Coroação de Nossa Senhora: essa cerimônia, com a participação das crianças em toda sua espontaneidade e inocência, é sempre cheia de emoção filial.

Coroação de Nossa Senhora: parte das celebrações de maio
Coroação de Nossa Senhora: parte das celebrações de maio

 

O mês de maio e os Papas

A prática devocional do mês de maio ganhou uma indulgência parcial com o Papa Pio VII em 1815 e uma indulgência plenária com Pio IX em 1859. Essas indulgências específicas caíram na revisão de 1966.

Pio XII acena vivamente para fiéis que levam imagem peregrina de Fátima
Pio XII acena vivamente para fiéis que levam imagem peregrina de Fátima

O Papa Pio XII se referiu ao mês de maio em sua grande Encíclica sobre a Sagrada Liturgia:

“…há outros exercícios de piedade que, se bem não pertençam a rigor e de direito à sagrada liturgia, se revestem de particular dignidade e importância, de modo que são tidos por insertos no quadro litúrgico, e gozam de repetidas aprovações e louvores desta Sé Apostólica e dos bispos. Entre esses se devem enumerar as orações que se costuma fazer durante o mês de maio em honra da virgem Mãe de Deus…” (Mediator Dei, 167)

Paulo VI Em Fátima
Paulo VI Em Fátima

O Papa Paulo VI escreveu uma curta encíclica em 1965 usando a devoção do mês de Maria como um meio para que se fizessem orações pela paz.

“Na verdade, é um mês em que, nos templos e entre as paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afetuosa da prece e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e mais abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina (…).
Muito nos agrada e consola este piedoso exercício, tão honroso para a Virgem e tão rico de frutos espirituais para o povo cristão.” (Mense maio)

Em maio de 2002 o Papa João Paulo II destacou a importância da dedicação do mês de maio, dizendo:

João Paulo II e Nossa Senhora de Fátima
João Paulo II e Nossa Senhora de Fátima

“Hoje tem início o mês dedicado a Nossa Senhora e muito querido à piedade popular. Muitas paróquias e famílias, seguindo tradições religiosas já consolidadas, continuam a fazer de maio um mês “mariano”, multiplicando ardorosas iniciativas  litúrgicas, catequéticas  e pastorais!

Que ele seja, em toda a parte, um mês de intensa oração com Maria! Estes são os votos que vos formulo a todos do íntimo do coração, caríssimos Irmãos e Irmãs, recomendando-vos uma vez mais a recitação do santo Rosário quotidianamente. Trata-se de uma oração simples, aparentemente repetitiva, mas mais útil do que nunca para penetrar nos mistérios de Cristo e da sua e nossa Mãe. Ela é, ao mesmo tempo, um modo de rezar que a Igreja sabe que é do agrado da própria Nossa Senhora. Somos convidados a recorrer ao Rosário também nos momentos mais difíceis da nossa peregrinação na terra.” (Audiência Geral, 1º de maio de 2002)

 

Bibliografia:

Totus Mariae
Totus Mariae
Comunidade Totus Mariae

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