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Uma breve história das relíquias

Relíquia, em latim (reliquiae), significa “restos”. Trata-se de restos mortais de santos ou de algum objeto que lhe pertenceu em vida. Relíquia tem também o sentido de coisa preciosa, rara. Para nós o valor das relíquias de um santo está ligado à intercessão dele junto a Deus por nós.

Já para os primeiros cristãos as relíquias eram importantes, principalmente os restos mortais dos mártires, que eram mantidos em local digno e reverenciados como testemunhas da fé daqueles que derramaram o sangue pelo Senhor.

Nos Atos dos Apóstolos lemos o relato de que lenços e outros panos que tinham tocado no corpo de São Paulo eram levados aos doentes, que assim alcançavam a cura (cf At 19, 11-12). Da mesma forma se obtém a maior parte das relíquias que conhecemos. Muitas relíquias antigas são réplicas que foram tocadas nas relíquias originais.

Batina usada por São João Paulo II no atentado: relíquia de 2º grau
Batina usada por São João Paulo II no atentado: relíquia de 2º grau

De fato, existem relíquias de diferentes graus:

  • de 1º grau: partes do corpo (ossos, cabelo, sangue etc.);
  • de 2º grau: objetos de uso pessoal do santo (roupas, terços, crucifixos etc.);
  • de 3º grau: objetos que apenas eventualmente tocaram o corpo do santo (lenços, pedaços de tecido etc.).

Os lenços com que os primeiros cristãos tocaram o Apóstolo Paulo são exemplos de relíquias de 3º grau. Um exemplo de relíquia de 2º grau é a batina que São João Paulo II usava no dia do atentado, em 1981. Os ossos de São Pedro são uma relíquia de 1º grau.

Podemos dizer que algumas relíquias são também milagres, como o corpo incorrupto de Santa Bernadette Soubirous, entre outros casos semelhantes. Mas sobre estes falaremos em outra ocasião!

 

Relíquias de Nosso Senhor

Nosso Senhor nos deixou preciosíssimas relíquias de Sua Paixão. Entre as mais famosas está o Sudário de Turim. Uma curiosidade é que essa e outras relíquias da mesma época estão, em sua maioria, em igrejas da Europa. Assim como vimos sobre as relíquias dos Reis Magos, surge a pergunta inevitável: como as relíquias da Terra Santa foram parar em países como Alemanha, Espanha, França?

Logo após o Pentecostes, os judeus iniciaram uma grande perseguição aos cristãos, que só cessou após a destruição de Jerusalém; mas começaram então as perseguições por parte dos romanos, sob o Imperador Nero, no ano 64. Durante esse tempo, as relíquias mais caras do cristianismo ficaram sob a guarda dos Apóstolos, ou simplesmente ocultas em lugares conhecidos apenas dos cristãos.

No ano 313, o Imperador romano Constantino emitiu o Édito de Milão, que declarou o cristianismo uma religião a ser tolerada e libertou todos os prisioneiros religiosos. Segundo alguns historiadores, sua mãe, Helena, foi batizada aos 63 anos de idade. No ano 324, Constantino unificou os Impérios do Oriente e do Ocidente e mudou sua capital para Bizâncio (mais tarde denominada Constantinopla).

Representando seu filho, Santa Helena fez uma peregrinação à Terra Santa, descobrindo que, em Jerusalém, o Imperador Adriano havia construído um templo a Afrodite sobre o Calvário e o Santo Sepulcro. Ela ordenou a destruição do templo pagão e supervisionou a construção de uma igreja – a Igreja do Santo Sepulcro. Nela foram mantidas várias relíquias, mas também vários pedaços delas começaram a ser enviados a igrejas em todo o Império Romano, sendo espalhadas pela devoção dos reis e pela perseguição religiosa, ao longo dos séculos.

A primeira relíquia encontrada por Santa Helena foi a Cruz do Senhor, sobre a qual falaremos em outro artigo!

 

Orientações da Igreja

Vale ressaltar algumas das indicações do Código de Direito Canônico com relação à veneração das relíquias:

Cân. 1186
Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração especial e filial dos fiéis a Bem- aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, por cujo exemplo os fiéis se edificam e pela intercessão dos quais são sustentados.

Cân. 1187
Só é lícito venerar, mediante culto público, aos servos de Deus que foram inscritos pela autoridade da Igreja no catálogo dos Santos ou dos Beatos.

Cân. 1188
Mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta.

Cân. 1189
Imagens preciosas, isto é, que sobressaem por antiguidade, arte ou culto, expostas à veneração dos fiéis, em igrejas e oratórios, se precisarem de reparação, nunca sejam restauradas sem a licença escrita do Ordinário; este, antes de concedê-la, consulte os peritos.

Cân. 1190
§ 1. Não é lícito vender relíquias sagradas.(*)
§ 2. As relíquias insignes, bem como outras de grande veneração do povo, não podem de modo algum ser alienadas nem definitivamente transferidas, sem a licença da Sé Apostólica.
§ 3. A prescrição do § 2 vale também para as imagens que são objeto de grande veneração do povo em alguma igreja.

 

(*) No eBay é comum se encontrar anúncios de “relíquias autênticas do Vaticano”; ou são falsas ou são relíquias mantidas por famílias há séculos e que algum descendente, mal informado e provavelmente em dificuldades financeiras, se propõe a vender. Também em sites brasileiros às vezes surgem ofertas desse tipo.

 

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